Mas, por onde começamos? Com o avanço das mudanças climáticas, o aumento da demanda global por alimentos e os desafios de produtividade em solos tropicais, o agro brasileiro se vê diante de uma pergunta urgente: como continuar produzindo mais, sem esgotar os recursos naturais?
A resposta pode estar na agricultura regenerativa — um modelo que vai além da sustentabilidade. Ele não apenas busca manter o equilíbrio, mas regenerar os solos, aumentar a biodiversidade e criar sistemas produtivos mais resilientes e lucrativos a longo prazo.
Mas, como transformar esse conceito em prática? E, principalmente, por onde começar?
O que é agricultura regenerativa, afinal?
Agricultura regenerativa é um conjunto de práticas agrícolas que visam restaurar a saúde do solo, a vida microbiana, o ciclo da água e o equilíbrio dos ecossistemas. É um modelo que parte da lógica de que o solo não é só um suporte físico, mas um organismo vivo, que precisa ser nutrido, protegido e respeitado.
Ela se baseia em princípios como:
- Redução do revolvimento do solo (plantio direto)
- Diversificação de culturas (consórcios e rotações)
- Cobertura permanente do solo (verde ou palha)
- Uso de fertilizantes organominerais, bioinsumos e compostos orgânicos
- Integração lavoura-pecuária-floresta
- Baixa dependência de insumos sintéticos
Produzir mais… regenerando?
Sim, é possível — e necessário. Um solo regenerado:
- Armazena mais água e carbono
- Possui maior atividade biológica e biodiversidade.
- Apresenta melhor estrutura física
- Exige menos correções químicas (ciclagem biológica)
- Gera plantas mais resistentes a estresses
Esses fatores, combinados, tornam a lavoura mais produtiva e com menor custo de produção ao longo do tempo. Ou seja: mais lucro, mais equilíbrio, mais futuro.
Por onde começar?
A transição para a agricultura regenerativa não precisa (e nem deve) ser feita de uma vez. Ela deve respeitar o modelo de produção atual, as características da propriedade e o nível de maturidade da equipe. Abaixo, alguns passos iniciais:
1. Conheça seu solo profundamente
Faça análises físicas, químicas e biológicas. Solos compactados, com baixa matéria orgânica ou vida microbiana comprometida exigem estratégias específicas.
2. Revise o sistema de preparo e cobertura do solo
O plantio direto, aliado ao uso de plantas de cobertura, é um caminho importante para iniciar o processo de regeneração.
3. Diversifique o manejo
Rotação de culturas, consórcios e integração com pastagens ajudam a quebrar ciclos de pragas, doenças e plantas daninhas, melhorar o perfil do solo e trazer mais equilíbrio ao sistema.
4. Adote práticas com base no Kaizen (melhoria contínua)
Comece pequeno, monitore, corrija e evolua. A agricultura regenerativa é um caminho de aprendizado constante — e não uma receita pronta.
5. Capacite a equipe e envolva todos no propósito
Nada muda de verdade sem pessoas engajadas. O operador precisa entender o porquê de cobrir o solo. O gestor precisa enxergar os benefícios de longo prazo. O administrador precisa dominar os indicadores.
Prosa com Nacata acredita que…
… produzir mais e melhor só é possível com capricho, gestão eficiente e conhecimento em movimento. A agricultura regenerativa dialoga com tudo isso — pois exige decisão estratégica, método, paciência e visão de futuro.
A regeneração começa pela mentalidade. E ela se transforma em resultado quando vira rotina no campo.
📍 Conclusão
A agricultura regenerativa não é um modismo. É uma resposta inteligente, técnica e sustentável aos desafios do agro atual. É um convite a olhar o solo como um ativo de valor, a natureza como aliada e o conhecimento como insumo principal.
E por onde começamos? Começamos com pequenas ações. Com aprendizado contínuo. Com coragem de mudar o jeito de agricultar.
A Prosa com Nacata está aqui para ajudar você a fazer essa travessia, com estratégia, simplicidade e propósito.